Em tempos de tanta desconfiança em torno da comunicação corporativa, uma verdade se destaca: ninguém fala com mais propriedade sobre uma empresa do que quem vive a rotina ali dentro. A Riachuelo entendeu isso antes de virar moda e fez dos seus colaboradores — ou melhor, dos seus RCHLOVERS — os protagonistas de uma estratégia poderosa.
EGC: quando o colaborador vira o porta-voz mais legítimo da marca
EGC é a sigla para Employee Generated Content — ou, traduzindo, “conteúdo gerado por colaboradores”. Isso pode ser um vídeo mostrando a rotina, uma ideia, um depoimento sincero e muito mais.
Esse tipo de conteúdo nasce da vivência real. E é justamente aí que mora sua força. Segundo um estudo da LinkedIn Talent Solutions, conteúdos compartilhados por funcionários geram até 8 vezes mais engajamento do que os publicados por perfis institucionais. Além disso, dados da Edelman mostram que as pessoas confiam mais em “gente como a gente” do que em porta-vozes oficiais de empresas.
Ou seja, quando o colaborador fala, as pessoas ouvem — porque sentem verdade. E isso vale ouro.
E é justamente isso que a Riachuelo tem feito com maestria: abrir espaço para que costureiras, especialistas, vendedores e líderes compartilham suas histórias, rotinas e aprendizados, mostrando o ecossistema da marca por dentro.
Cultura viva em todos os canais: o jeito Riachuelo de comunicar
Na Riachuelo, essa ideia ganhou nome, programa e canais específicos. O RCHLOVERS é o nome que a empresa dá aos seus colaboradores — um apelido carinhoso que não é apenas um termo interno, mas também uma forma de construir comunidade. Eles são especialistas em logística, designers, líderes, atendentes e costureiras. Pessoas reais, com histórias diversas, que representam a cultura da marca na prática.
Com o apoio da área de comunicação interna, os RCHLOVERS recebem pautas mensais e orientações para a criação de conteúdo. Mas o tom é leve, informal e voluntário. Nada de discursos ensaiados. A proposta é justamente mostrar o dia a dia como ele é: criativo, desafiador, diverso e, acima de tudo, humano.
Conteúdos que mostram a cultura em tempo real
Os conteúdos produzidos aparecem em vários canais.
No Instagram, o perfil @riachuelocarreiras funciona como uma vitrine da cultura interna.

Por lá, é possível acompanhar:
- Bastidores do dia a dia nas lojas, escritórios e centros de distribuição;
- Histórias inspiradoras de colaboradores que cresceram na empresa;
- Iniciativas de diversidade, inclusão e desenvolvimento;
- Campanhas de endomarketing que mostram o orgulho de pertencer.


Esse conteúdo conecta, gera identificação e fortalece a marca empregadora de forma orgânica.
Já no LinkedIn a Riachuelo tem feito publicações frequentes que destacam os RCHLOVERS. São posts que apresentam as pessoas por trás da operação, celebram conquistas e mostram o clima interno da empresa.


A cada publicação, uma mensagem clara: quem faz a marca são as pessoas.


“Quem faz a sua roupa?”: conteúdo com propósito e protagonismo
Outro exemplo está no site institucional da marca, na seção “Quem faz a sua roupa”. Ali, colaboradores contam como é fazer parte desse ecossistema de moda e propósito.

Esses relatos ajudam o público a entender o valor por trás das peças que estão nas araras — e humanizam a marca num nível que nenhuma campanha publicitária conseguiria.
Histórias reais, impacto real: a série Entre Costuras
E se você acha que isso para por aí, vale visitar o canal da Riachuelo no YouTube. A playlist “Entre Costuras” conta, em formato documental, a história de quatro colaboradores que fazem parte do processo de criação e produção das peças que chegam às lojas. A série humaniza a cadeia produtiva, valoriza o trabalho manual e aproxima ainda mais o público da marca.
Esses vídeos reforçam que a Riachuelo não apenas dá voz aos seus colaboradores — mas amplifica essa voz com qualidade e respeito. É conteúdo institucional sem cara de institucional.
O que a sua empresa pode aprender com esse case
Nem toda empresa tem o tamanho ou os recursos da Riachuelo. Mas o que torna esse case inspirador é justamente o que pode ser replicado:
- Clareza sobre o valor das pessoas
- Apoio interno para criação de conteúdo
- Canais que dão visibilidade aos colaboradores
- Confiança como base da comunicação
Mesmo com um time pequeno, já é possível começar, aqui vão algumas ideias inspiradas na Riachuelo:
- Dê nome ao seu programa e convide o time para participar.
- Crie um espaço para os colaboradores compartilharem histórias (grupo no Whatsapp, LinkedIn, Instagram).
- Estimule a postagem espontânea com hashtags como #NomeDaEmpresaPorDentro ou #SouDaEmpresa.
- Reposte os conteúdos mais engajados nos canais oficiais.
- Reconheça quem participa — mesmo que seja com um elogio público ou uma lembrança simbólica.
- Compartilhe pautas e sugestões, mas deixe espaço para a espontaneidade;
Por que EGC funciona tão bem agora?
EGC é sobre confiança, não sobre controle. E quando a cultura é forte, ela transborda naturalmente em forma de conteúdo.
Além da autenticidade, o EGC tem outra vantagem poderosa em tempos de orçamentos mais apertados: ele é sustentável.
Ou seja: é uma estratégia acessível, eficaz e humana. Combina com o momento do mercado — e com o que as pessoas esperam das marcas hoje.
Quando o colaborador fala, o mundo escuta
A Riachuelo mostra que comunicação interna não precisa ficar escondida no e-mail ou no mural da empresa. Ela pode — e deve — se tornar uma ponte entre cultura e reputação.
Quando o colaborador é valorizado como parte da narrativa, ele se engaja. E quando ele se engaja, o público também se conecta. Isso é marca sendo construída de dentro para fora, com verdade, estratégia e gente de verdade.
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