Toda empresa diz ter uma cultura forte. Algumas até estampam valores nas paredes, imprimem manuais inspiradores e produzem campanhas internas cheias de boas intenções. Mas poucas conseguem fazer as pessoas viverem essa cultura todos os dias.
A marca Canva é uma dessas raras exceções.
Mais do que uma empresa de design, o Canva é um ecossistema de colaboração, criatividade e pertencimento. Lá dentro (e fora também), as pessoas se reconhecem como Canvanautas — um termo que vai muito além de um apelido simpático. É identidade. É o jeito que os colaboradores expressam orgulho de fazer parte de algo que realmente acreditam.


Enquanto muitas organizações ainda tentam entender como transformar propósito em prática, o Canva mostra na rotina que cultura organizacional e comunicação andam juntas — e que o verdadeiro diferencial competitivo de uma marca está nas pessoas que constroem e compartilham essa cultura.
A cultura que se constrói de dentro pra fora
Desde a sua fundação, em 2013, o propósito do Canva foi claro: empoderar o mundo a desenhar. E essa ideia de empoderamento não ficou restrita aos usuários — ela começou com os próprios times.
A cultura da empresa se apoia em pilares como colaboração, inclusão e impacto positivo, e cada colaborador é incentivado a experimentar, aprender e contribuir. Essa mentalidade cria uma base de confiança tão sólida que a comunicação flui naturalmente.
A Canva foi fundada na crença de que todos devem ter a capacidade de criar, comunicar e compartilhar suas ideias — independentemente de sua formação, nível de habilidade ou recursos. Esse princípio molda tanto nosso produto quanto nosso ambiente de trabalho.
Os Canvanautas não são apenas funcionários; são parte de um movimento. Eles participam ativamente das decisões, sugerem melhorias, compartilham histórias e mostram os bastidores do que fazem com orgulho.



Além deles, há os Canvassadors — embaixadores da marca pelo mundo, que não fazem parte do time interno, mas ajudam a espalhar a cultura de colaboração. Essa mistura de comunidade interna e rede de parceiros externos faz o Canva funcionar como um organismo vivo, em constante troca e crescimento.


O resultado é uma empresa que comunica de forma genuína, porque as pessoas não apenas repetem mensagens: elas acreditam nelas.
Comunicação interna que gera orgulho, não apenas alinhamento
Grande parte das empresas trata a comunicação interna como um canal de recados. É um fluxo de cima pra baixo, onde o objetivo é informar — não inspirar.
O Canva faz o oposto.
Lá, a comunicação é bidirecional e participativa. Cada colaborador é ouvido, tem voz ativa e espaço para compartilhar suas ideias e conquistas. Essa abertura gera algo que muitas organizações desejam, mas poucas constroem: orgulho genuíno de pertencer. E quando há orgulho, há engajamento.
Os times do Canva não esperam uma campanha de endomarketing para falar bem da empresa — eles simplesmente falam, porque vivem aquilo. Nas redes sociais, é comum ver colaboradores celebrando conquistas, mostrando os bastidores do trabalho e reforçando o propósito de forma espontânea.
Os Canvanautas do Brasil, por exemplo, tem se destacado no LinkedIn ao compartilhar suas histórias, mostrar o impacto das equipes locais e dar voz aos bastidores. É uma comunicação humana, acessível e coerente com o que a marca prega.


Quando o colaborador vira o maior influenciador da marca
Toda marca sonha em ter defensores autênticos, mas poucas percebem que os melhores já estão dentro da empresa.
No Canva, o conteúdo gerado pelos colaboradores (o famoso Employee Generated Content — EGC) não é imposto. Ele nasce de forma orgânica. As pessoas compartilham suas experiências porque se sentem parte de algo que faz sentido.
Esse tipo de comunicação tem um poder que nenhuma campanha publicitária alcança. Quando um colaborador fala sobre o ambiente de trabalho, a cultura e os valores da empresa, o público percebe verdade — e verdade gera conexão.
Mais do que atrair clientes, isso atrai talentos. E mais do que engajar seguidores, isso cria uma reputação de marca baseada em confiança e coerência.
Por que poucas empresas conseguem chegar lá?
A resposta é simples — e desconfortável. A maioria das empresas quer os resultados de uma cultura forte, mas não quer passar pelo processo de construí-la. Falta coerência entre o que se diz e o que se faz. Falta espaço para ouvir. Falta coragem para confiar.
Enquanto o Canva aposta na autonomia e na comunicação aberta, muitas organizações ainda operam sob a lógica do controle: mensagens aprovadas, discursos padronizados e medo de exposição. Mas cultura não se controla. Cultura se vive.
E quando a liderança entende isso, tudo muda. As pessoas deixam de apenas cumprir tarefas e passam a cuidar da marca como se fosse delas — porque, de fato, é.
Cultura é o que se vive, não o que se escreve
O Canva não criou uma cultura pra ser admirada. Criou um ambiente onde as pessoas querem ficar. Onde propósito e prática andam juntos, e onde cada colaborador tem voz, vez e orgulho de contribuir. Essa é a diferença entre ter valores e viver valores.
Você pode copiar o modelo de negócios do Canva, o design do site, o tom das campanhas ou até o layout do escritório. Mas não dá pra copiar o que o faz funcionar: as pessoas que acreditam no que estão construindo juntas.
E é justamente isso que poucas empresas conseguem ter — porque exige coerência, consistência e coragem.
No fim, o Canva nos lembra que cultura organizacional e comunicação não são departamentos diferentes — são lados da mesma moeda. Uma empresa que comunica bem é uma empresa que vive bem a própria cultura.
Então, antes de buscar uma nova estratégia de engajamento interno, talvez valha se perguntar: Sua empresa está comunicando o que vive, ou apenas dizendo o que gostaria de ser?
O seu próximo passo
EGC — e cultura viva — não se constroem com discursos prontos, mas com confiança em prática. É sobre abrir espaço para que as pessoas contem o que vivem, com autenticidade e orgulho. Sobre transformar o time em parte ativa da comunicação, e não em figurante das campanhas.
O Canva mostra que quando a empresa acredita nas pessoas, as pessoas acreditam na empresa. E quando essa confiança é mútua, o resultado vai muito além de engajamento — vira pertencimento.
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