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Colaboradores brilhando como protagonistas da marca: o case da Netshoes

Imagem reprodução Instagram

Em um cenário em que consumidores buscam autenticidade e transparência, as marcas que conseguem humanizar sua comunicação saem na frente. Afinal, ninguém quer interagir com um feed que parece um catálogo frio de produtos. Queremos histórias, conexões, pessoas reais.

E é justamente isso que a Netshoes começou a fazer ao dar espaço para vozes genuínas. A marca entendeu que colocar colaboradores em cena pode ser um caminho poderoso para gerar engajamento e, principalmente, confiança.

Neste artigo, vamos ver como a Netshoes está dando os primeiros passos nessa direção e por que isso pode ser o início de uma grande mudança: a entrada no universo do Employee Generated Content (EGC).

Por que humanização importa (e tanto) nas redes sociais?

Não é de hoje que os consumidores questionam a autenticidade de influenciadores pagos. A dúvida é quase automática: “Será que ele realmente gosta da marca ou está só recebendo para falar bem?”

Em contrapartida, conteúdos feitos por quem vive a rotina da empresa — quem está nos bastidores, atendendo clientes, preparando produtos — transmitem credibilidade de forma natural. Isso porque essas pessoas têm algo que nenhum briefing entrega: vivência real.

Estudos apontam que conteúdos compartilhados por colaboradores geram até 8 vezes mais engajamento do que publicações feitas pelos perfis corporativos. Esse é o poder do EGC, ou, em bom português, conteúdo gerado por colaboradores.

A estratégia da Netshoes: gente real, comunicação real

Segundo matéria publicada pela Meio & Mensagem, a Netshoes apostou na humanização como pilar das suas redes sociais. E fez isso trazendo colaboradores para frente das câmeras.

O movimento iniciou no ano passado na Black Friday e seguiu para campanhas de Natal e PayDay. Neste período a marca colocou no ar mais de 15 vídeos produzidos com a colaboração de cerca de 50 colaboradores.

Esses vídeos, publicados no Instagram e TikTok fogem do tom publicitário tradicional. Não há atores ou influenciadores contratados. O que aparece são pessoas que fazem a engrenagem girar: o time interno.

A matéria traz citações de Bruno Molina, gerente de redes sociais e influência, olha só o que ele diz:

“Entendemos que a Netshoes precisava, de certa forma, se adaptar. Como a humanização é uma tendência no meio digital, nossa proposta é tornar os conteúdos cada vez mais próximos e autênticos. Nossos principais influenciadores, aqueles que realmente transmitem a mensagem para o fã, são os próprios colaboradores”

“Além de trazerem um engajamento 100% orgânico e se aproximarem do viral, esses conteúdos ainda fortalecem a nossa cultura organizacional. Quanto mais você cria conteúdos genuínos, com menos cara de publicidade e com mais espontaneidade, mais público e seguidor acaba vindo para a marca. É o senso de comunidade e geração de desejo e inspiração”.

Isso é humanização na prática — e, ainda que não seja um programa formal de EGC, é um passo importante rumo a esse modelo.

Muito além da frente das câmeras

Vale reforçar: EGC não é apenas colocar colaboradores na frente da câmera. É criar um ambiente onde eles se sintam convidados a compartilhar suas experiências, ideias e histórias, de forma espontânea e autêntica.

E o movimento da Netshoes segue exatamente esse conceito.

A estratégia envolve um time dedicado, responsável pelo alinhamento de ideias, definição de temas, roteiros e direcionamento criativo. O processo de gravação é voluntário e não envolve qualquer pagamento adicional, os colaboradores não têm obrigação de participar ou aparecer, podem contribuir com ideias.

Molina explica que:

“Antes de qualquer gravação, a gente conversa previamente com cada pessoa ou com aqueles que se sentem à vontade para participar, justamente para respeitar os limites de cada um. Se alguém não quiser aparecer, tudo bem, não forçamos”.

“A gente procura envolver colaboradores que tenham afinidade com o conteúdo que será produzido e que realmente demonstrem interesse. É delicado quando alguém não se sente confortável, e por isso esse cuidado é essencial”.

Por que isso é relevante agora?

O consumidor atual é seletivo e atento. Ele valoriza transparência, representatividade e verdade. E isso não se constrói apenas com campanhas publicitárias bem produzidas.

Quando os colaboradores aparecem, a marca envia uma mensagem poderosa: “nós confiamos em quem faz parte da nossa história.”

Além disso, essa abordagem traz benefícios claros:

  • Fortalece o employer branding: os colaboradores se sentem parte da narrativa e não apenas peças da engrenagem.
  • Gera engajamento orgânico: conteúdos com pessoas reais tendem a performar melhor sem depender de mídia paga.
  • Atrai talentos alinhados à cultura: quem vê uma empresa que valoriza as vozes internas tende a se interessar por fazer parte dela.

Como evoluir para um EGC estruturado?

Para qualquer empresa que queira seguir esse caminho, a transição para um modelo de EGC real envolve alguns passos estratégicos:

  1. Criar um programa interno com identidade própria: Um nome forte para o projeto ajuda a dar pertencimento. Ex.: “Vozes da [sua marca]”
  2. Oferecer capacitação e ferramentas: Nem todo mundo sabe como gravar um bom vídeo ou escrever uma legenda envolvente. Treinamentos práticos fazem diferença.
  3. Garantir segurança psicológica: O colaborador precisa sentir que aparecer não é uma obrigação, mas uma oportunidade.
  4. Reconhecer quem participa: Pequenos gestos de valorização incentivam a adesão. Pode ser um post de destaque, um certificado ou até bônus simbólicos.

EGC não é tendência, é evolução

A Netshoes mostrou que acredita na força das pessoas que constroem sua marca. Colocar colaboradores no centro da comunicação é mais do que uma ação de marketing: é uma declaração de cultura.

EGC não é apenas sobre postar — é sobre confiar, acolher e dar espaço para quem tem legitimidade para falar.

E você, está pronto para abrir essa porta na sua empresa?

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