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Influenciador que vende se faz em casa: o case da Hope

Foto: Thiago Bruno/Divulgação

Você já deve ter escutado por aí que “ninguém vende tão bem quanto quem acredita no próprio produto”. No caso da Hope, essa frase virou estratégia.

Mais do que um grupo de marcas de moda íntima com presença nacional, a Hope se tornou um exemplo de como a comunicação feita por quem está dentro do negócio pode gerar valor — não só para a audiência externa, mas também para franqueados, colaboradores e parceiros.

A história da empresa começa em 1966, quando Nissim Hara fundou a Hope. Desde então, a marca evoluiu de uma pequena fábrica para um verdadeiro ecossistema de moda, com as linhas Hope Lingerie, Hope Resort e Bonjour Lingerie, além da expansão por franquias e da criação do Grupo Hope.

Mas o que nos chama atenção aqui não é só a expansão dos negócios — e sim o movimento de tornar as pessoas envolvidas com a marca mais visíveis, próximas e influentes.

Por trás do crescimento da comunicação digital da Hope, tem uma mistura poderosa: liderança que se posiciona, colaboradores que criam, e uma marca que dá palco pra quem já vive os bastidores.

Liderança que influencia: A exposição que gera conexão

Em 2020, após a morte do fundador, sua filha Sandra Chayo, uma das sócias-diretoras, assumiu a missão de comunicar ao mercado e, principalmente, aos franqueados, que a empresa seguia firme — e que tinha rosto, voz e direção.. A pandemia, que chegou logo em seguida, acelerou essa virada.

O movimento começou com lives semanais durante a pandemia, se transformou em presença constante no Instagram e evoluiu para o videocast “Papo Íntimo”, onde ela conversa sobre bastidores da marca e temas que importam pra ela e pra empresa. Em 2022, Sandra também integrou o time de tubarões do Shark Tank Brasil.

Sandra passou a aparecer com frequência em lives e nos canais da marca, atualizando sobre ações, decisões e bastidores do negócio. Em pouco tempo, ela virou referência em comunicação institucional no varejo — não por formalidade, mas por autenticidade.

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Reprodução Instagram

Hoje, com 140 mil seguidores no Instagram, Sandra comanda o videocast Papo Íntimo, e usa sua própria imagem para humanizar a marca que representa. Como ela mesma diz:

“Já contratei até a Gisele Bündchen para vender a minha marca. Mas, apesar de todas as minhas imperfeições, ninguém vende a Hope como eu.”

Essa frase diz muito sobre o novo tempo da comunicação nas empresas: o tempo em que rostos reais importam mais que campanhas perfeitas.

Sem medo de mostrar seus valores

Em uma entrevista à Exame, Sandra contou que tem escutado cada vez mais de franqueadas:

“Estou aqui por sua causa, porque me identifico com seus valores.”

Esse é o tipo de frase que nenhuma campanha paga consegue gerar. Ela vem da construção constante de uma comunicação com rosto, propósito e coragem de se posicionar.

Sandra usa suas redes também para se posicionar sobre temas sensíveis — como a luta contra o antissemitismo. Mesmo sabendo que poderia enfrentar críticas ou perder seguidores, ela escolheu ser coerente com seus valores. E o resultado? Não perdeu público. Pelo contrário: fortaleceu a marca.

Colaboradores e franqueados também aparecem

Mas Sandra não é a única “influenciadora” do Grupo Hope. O conteúdo nas redes da empresa mostra que o protagonismo é dividido.

Basta dar uma olhada no Instagram @grupohope para entender como a empresa também valoriza quem tá no dia a dia da operação.

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Reprodução Instagram

Tem registro de treinamentos, bastidores, novidades da marca e, além de trends divertidas e conteúdos espontâneos com quem realmente veste a camisa da Hope.

Esse tipo de conteúdo, que nasce dentro da empresa, tem nome: EGC — Employee Generated Content, ou Conteúdo Gerado por Colaboradores.

Não é vídeo profissional, nem campanha publicitária. É gente real, comunicando de forma leve, divertida e autêntica. É o time virando voz da marca — e atraindo, com isso, um público que valoriza verdade.

O resultado? Uma comunidade engajada, um clima interno fortalecido e uma comunicação que transpira verdade.

Esse é o poder do EGC

Essa é uma tendência cada vez mais presente em empresas que entenderam que, antes de buscar influenciadores externos, é preciso ativar quem já vive e respira a marca por dentro.

EGC não é só sobre gravar vídeos dançando ou falar do produto — é sobre criar conexão entre empresa e público por meio de pessoas reais.

E por que isso funciona?

  • Porque gera confiança (ninguém conhece o produto como quem trabalha com ele);
  • Porque humaniza a comunicação (quem vê, se identifica);
  • Porque estimula o senso de pertencimento (quem participa, se engaja).

O LinkedIn também é palco

Outro canal onde o Grupo Hope tem marcado presença de forma estratégica é o LinkedIn. Ali, a marca reforça suas ações internas, reconhece o trabalho dos times, valoriza franqueados e mostra como o negócio evolui com as pessoas certas.

Em datas comemorativas como Dia da Mulher, Dia das Mães ou Outubro Rosa, é comum a marca convidar sua rede para criar conteúdos em conjunto — valorizando o que cada pessoa representa para o negócio

Recentemente, conteúdos mostrando treinamentos e ações internas reforçaram esse posicionamento. Diferente de uma vitrine publicitária, o LinkedIn da Hope virou um espelho da cultura interna da marca.

E isso também é parte do EGC: mostrar não só o que a empresa vende, mas como ela cuida de quem ajuda a construir a marca todos os dias.

O que podemos aprender com a Hope?

Se você lidera uma marca e ainda acredita que “aparecer” nas redes sociais é só vaidade ou função do marketing, talvez esteja perdendo a chance de transformar o seu negócio.

A Hope mostra que:

  • Lideranças que aparecem criam pontes, não só discursos;
  • Colaboradores que se sentem vistos se tornam porta-vozes;
  • Clientes e franqueados querem se conectar com histórias, não só com vitrines.

Você não precisa de grandes estruturas para começar.

Precisa de uma decisão: dar espaço para que as vozes internas se tornem parte da sua comunicação.

Influenciador que vende se faz em casa

Essa é a tese que sustenta a palestra “Eles aparecem, a empresa cresce!”, que criei para ajudar empresas a entenderem e aplicarem o EGC na prática.

Se você quer transformar a forma como sua equipe se comunica e gerar mais resultado com isso, eu posso te mostrar como começar.

A Hope é um exemplo real de que quem acredita na marca é o melhor influenciador que ela pode ter. E talvez, esse influenciador já esteja aí, do seu lado — só esperando uma chance para aparecer.

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